Almas gêmeas: o sonho de encontrar a outra metade


Os ideais românticos embalaram poetas e músicos. A busca do parceiro ideal, a possibilidade de uma harmonia perfeita no relacionamento com um ser predestinado leva muitas pessoas a projetarem seus sonhos de felicidade na união a dois.
Será que existe em algum lugar do Universo este ser que nos completa, a nossa alma gêmea? Todos nós teríamos a nossa "outra metade"?
Conheça o que o Espiritismo pode nos dizer seguramente a este respeito, a partir de seus fundamentos filosóficos

Por Rita Foelker | rita@universoespirita.com.br

A idéia de que existe perdido no mundo um ser especial que nos completa, e o qual haveremos de encontrar para realizar um sonho de felicidade sentimental, surge de uma perspectiva romântica da existência. Muitas pessoas vivem acreditando que felicidade só existe a dois e procuram seu par perfeito na esperança de serem felizes.
Embora o amor romântico e o erotismo pareçam sempre haver existido na humanidade, ambos podem ser vistos como fenômenos sócio-culturais datados, isto é, eles têm um momento específico em que surgiram na história da Terra.
O amor cortês, ou “amor delicado”, é um aspecto da lírica provençal (vinda de Provença, ao sul da França), no século 11, época referente à baixa Idade Média que assiste aos primeiros traços daquilo que modernamente chamamos de “amor romântico”. A poesia trovadoresca do período pode ser considerada como uma explicitação dos comportamentos dos amantes, que vai marcar nossa concepção sobre o que é e como funciona a relação amorosa.
Os poetas e cronistas eram chamados de trovadores e costumavam cantar acompanhados de instrumentos como a cítara, a viola, a lira ou a harpa. As composições poéticas eram chamadas de “cantigas”, das quais podemos citar as cantigas de amigo e as cantigas de amor. Nas cantigas de amor, quem falava no poema era um homem, que se dirigia a uma mulher da nobreza – um amor proibido cujo nome sequer podia revelar – o que tornava a consumação do seu sentimento impraticável. Torturado pela angústia do desejo irrealizado, o apaixonado buscava palavras que expressassem a intensidade de sua aflição e de sua devoção. Nas cantigas de amigo, a personagem central era uma mulher da classe popular, transmitindo o sentimento feminino pelas desventuras amorosas das donzelas. Pela boca do trovador, ela cantava a ausência do amigo (amado ou namorado), a frustração de amar e ser abandonada, em razão da guerra ou de outra mulher.
Mas se voltarmos mais ainda no tempo, encontraremos referências em Platão (428?-348? a. C.), na Grécia Antiga. Os gregos não tinham ideais “românticos”, mas foram os responsáveis pela noção das metades eternas. Em seu diálogo O Banquete, narra-se um mito que é a origem da noção de almas gêmeas ou metades eternas. Aristófanes, um dos convidados, explica que o ser amado é a nossa “outra metade” há muito perdida. (...)

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